Arrendar no Grande Porto: Rendas Chegam aos €10,83/m², Mas Novos Contratos Caem 5%

Publicado em 3 out 2026 · 9 min leitura

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Arrendar no Grande Porto

Arrendar no Grande Porto ficou mais caro, mas no mesmo período foram assinados menos contratos. No segundo trimestre de 2026, a renda mediana dos novos contratos na Área Metropolitana do Porto atingiu €10,83 por metro quadrado, acima dos €10,17/m² registados no conjunto do país. Webinq

Ao mesmo tempo, o número de novos contratos caiu 5% na Área Metropolitana do Porto, enquanto em Portugal aumentou ligeiramente, 0,4%, para 35.407 contratos. Idealista

Matosinhos e Maia destacam-se ainda mais: registaram quedas de 14,0% e 13,2%, respetivamente.

Os números revelam uma realidade menos simples do que apenas dizer que “as rendas estão a subir”.

Neste artigo, usamos Grande Porto como designação editorial da Área Metropolitana do Porto (AMP), que é a unidade estatística utilizada pelo INE.

Arrendar no Grande Porto

Arrendar no Grande Porto já custa mais do que a mediana nacional

A diferença entre o Grande Porto e o conjunto do país é de €0,66 por metro quadrado.

Isto significa que a renda mediana dos novos contratos na Área Metropolitana do Porto ficou cerca de 6,5% acima da mediana nacional no segundo trimestre de 2026, cálculo feito a partir dos valores divulgados pelo INE. Webinq

A AMP aparece entre as regiões com rendas mais elevadas do país, depois da Grande Lisboa, Madeira, Península de Setúbal e Algarve.

Mas há uma diferença importante entre preço e atividade.

Portugal registou ligeiramente mais novos contratos do que no mesmo trimestre de 2025. No Grande Porto aconteceu o contrário.

É aqui que a história se torna mais interessante.

Arrendar no Grande Porto: Matosinhos e Maia destacam-se

Arrendar no Grande Porto

Entre os 24 municípios portugueses com mais de 100 mil habitantes analisados pelo INE, Matosinhos e Maia registaram as duas maiores quedas no número de novos contratos.

Matosinhos caiu 14,0%. Maia caiu 13,2%. RR

Não significa que deixaram de existir pessoas à procura de casa nestes concelhos.

Também não demonstra, por si só, que os proprietários retiraram casas do mercado, que os inquilinos foram afastados pelos preços ou que as famílias começaram a mudar-se para outros municípios.

O dado permite afirmar algo mais específico: foram celebrados substancialmente menos novos contratos do que no mesmo período do ano anterior.

Explicar porquê exige outros dados.

Essa distinção é importante porque evita transformar uma correlação num diagnóstico que o INE não fez.

Maia e Gondomar mostram porque o preço não explica tudo

Há outro dado que complica ainda mais uma explicação baseada apenas no custo.

Na Maia, a renda mediana dos novos contratos foi de €10,04/m². Em Gondomar ficou nos €9,23/m².

Ambos os valores estão abaixo dos €10,83/m² da Área Metropolitana do Porto. A Maia ficou também ligeiramente abaixo da referência nacional de €10,17/m². RR

Santa Maria da Feira apresentou um valor ainda inferior, €7,03/m².

Mesmo assim, a Maia registou uma das maiores quedas de novos contratos entre os grandes municípios portugueses.

Arrendar no Grande Porto

Por isso, não é possível olhar para estes números e concluir simplesmente:

“Há menos contratos porque as rendas estão mais caras.”

A realidade parece ser mais complexa.

Este contraste entre preço, disponibilidade e utilização do parque habitacional também merece ser visto juntamente com o estado das casas existentes. A nossa análise sobre reabilitação habitacional em Matosinhos mostrou, por exemplo, diferenças importantes no estado de conservação do edificado dentro do próprio concelho.

T0 e T1 custam mais do dobro por metro quadrado do que casas grandes

A mediana de €10,83/m² também esconde outra diferença importante: o tamanho da habitação.

Nos novos contratos de imóveis T0 ou T1, a renda mediana na Área Metropolitana do Porto chegou aos €14,08/m².

Nos T4 ou superiores, caiu para €6,49/m². Executive Digest

Por metro quadrado, uma pequena habitação estava portanto a ser arrendada por aproximadamente 2,17 vezes o valor registado nas tipologias maiores.

Foi também na Área Metropolitana do Porto que o INE identificou a maior diferença entre tipologias entre as regiões NUTS III analisadas. Executive Digest

Isto é particularmente importante para jovens, pessoas que vivem sozinhas, casais e pequenos agregados.

Uma pessoa à procura de um T0 ou T1 pode estar a enfrentar um mercado muito diferente daquele sugerido pela simples mediana metropolitana.

Arrendar no Grande Porto

Estes valores não são preços pedidos em anúncios

Existe outra diferença importante entre estes dados e muitos dos números utilizados em notícias sobre imobiliário.

Os €10,83/m² não representam o preço que um senhorio decidiu colocar num portal imobiliário.

As Estatísticas de Rendas da Habitação ao Nível Local do INE utilizam informação dos novos contratos comunicados à Autoridade Tributária através do Modelo 2 do Imposto do Selo, cruzada com informação do Imposto Municipal sobre Imóveis. ECO

Estamos, portanto, perante dados administrativos relativos a contratos declarados, e não apenas preços anunciados.

Também estamos a falar de mediana, não de média.

A mediana indica o valor central da distribuição: metade dos contratos apresenta uma renda por metro quadrado inferior e a outra metade superior.

E há outra limitação essencial: estes números referem-se a novos contratos.

Não significam que todas as famílias que já vivem numa casa arrendada no Grande Porto estejam atualmente a pagar €10,83/m².

Menos contratos não significa automaticamente menos procura

Esta talvez seja a distinção mais importante de toda a análise.

Uma queda no número de novos contratos pode acontecer por diferentes razões.

Pode existir menos oferta disponível, menor rotatividade de inquilinos, alterações na procura, proprietários a manter imóveis fora do mercado ou outros fatores.

Os dados agora publicados não permitem escolher uma destas explicações.

O que permitem observar é uma divergência:

as rendas dos novos contratos permanecem elevadas enquanto o número de novos contratos diminuiu em partes importantes do Grande Porto.

Matosinhos e Maia são os exemplos mais fortes desta tendência no segundo trimestre de 2026.

O que estes números dizem realmente sobre arrendar no Grande Porto

Há três conclusões que conseguimos retirar sem ir além dos dados.

A primeira é que arrendar no Grande Porto num novo contrato já apresenta uma mediana superior à nacional.

A segunda é que essa diferença de preço não veio acompanhada por mais contratos: a Área Metropolitana do Porto registou uma queda de 5%.

E a terceira é que o fenómeno não é uniforme.

Matosinhos e Maia apresentaram quedas superiores a 13%, enquanto municípios como Maia e Gondomar continuam abaixo da mediana metropolitana em preço.

Isto deixa uma pergunta importante para acompanhar nos próximos trimestres:

estamos perante uma redução temporária da rotatividade no mercado de arrendamento ou uma mudança mais profunda na forma como as famílias conseguem encontrar casa no Grande Porto?

Ainda não temos dados suficientes para responder.

Mas já temos dados suficientes para saber que olhar apenas para o preço médio de um anúncio conta apenas uma parte da história.

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A Portugal em Casa acompanha a realidade das habitações portuguesas. A Pronto Soluções presta assistência atualmente no Porto e municípios próximos.

Conclusão

Os dados do segundo trimestre de 2026 mostram um mercado de arrendamento metropolitano com sinais aparentemente contraditórios.

A renda mediana dos novos contratos chegou aos €10,83/m², acima dos €10,17 nacionais. Mas o número de novos contratos caiu 5% na região, chegando a quedas de 14,0% em Matosinhos e 13,2% na Maia. Webinq

Para quem pretende arrendar no Grande Porto, a conclusão mais útil não é simplesmente que “as rendas estão caras”.

É que preço, número de contratos e localização estão a evoluir de formas diferentes, mesmo entre municípios vizinhos.

E será essa diferença que vale a pena continuar a acompanhar.

Perguntas frequentes

Quanto custa arrendar no Grande Porto por metro quadrado?

No segundo trimestre de 2026, a renda mediana dos novos contratos na Área Metropolitana do Porto foi de €10,83/m², segundo o INE. A mediana nacional foi de €10,17/m². Webinq

Onde caíram mais os novos contratos de arrendamento?

Entre os municípios portugueses com mais de 100 mil habitantes analisados pelo INE, Matosinhos registou uma queda de 14,0% e Maia de 13,2%, as maiores diminuições observadas. RR

Os €10,83/m² são preços dos anúncios imobiliários?

Não. Os dados utilizados pelo INE baseiam-se em novos contratos comunicados à Autoridade Tributária e informação fiscal dos imóveis. Por isso, não são simplesmente valores pedidos em anúncios. ECO

Porque estão a ser assinados menos contratos em Matosinhos e Maia?

Os dados divulgados permitem identificar a queda, mas não demonstram a causa. Seriam necessários dados adicionais sobre oferta, procura, duração dos contratos, disponibilidade de habitação e outros fatores para explicar o movimento.

Fontes

Instituto Nacional de Estatística (INE), Estatísticas de Rendas da Habitação ao nível local, 2.º trimestre de 2026, publicado em 29 de setembro de 2026. Consultar divulgação do INE

Os detalhes municipais de Matosinhos, Maia, Gondomar e outros grandes municípios reproduzem os resultados divulgados pelo INE. RR

A informação sobre a metodologia dos contratos declarados e a série de 12 meses é igualmente baseada na divulgação do INE. ECO

A diferença entre tipologias T0/T1 e T4+ resulta dos dados do INE relativos ao segundo trimestre de 2026. Executive Digest

Ligação interna recomendada: colocar “reabilitação habitacional em Matosinhos” no respetivo parágrafo, já apontando para o artigo existente. Também ligaria “Portugal em Casa” no bloco final à página editorial principal. Portugal em Casa

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